Recebi uma sugestão Animadora, aliás, essa ideia vai ser trabalhada nessa postagem, uma fiction, com um pouco de carinho, uma colher de desilusão e uma pitada de sangue para dar o meu sabor favoritoAgora não quero perguntas sobre o título de parábola
♥O Cordeiro e
O lobo.
As Pesadas passadas seguiam por entre o longo corredor, e assim podia-se ouvir o rangido da madeira velha , acabada pelo tempo. Os longos cabelos negros chegavam ao meio das costas, o sorriso tracejados nos lábios aparentava um brilho em contraste a fraca iluminação do local. Tocou na porta ao final do corredor e sem pressa a empurrou revelando várias velas acesas pelo recinto. Na direção da cama focara os olhos e deitado estava um jovem rapaz, com cabelos brancos, a pele tão branca quanto, e olhos discretamente avermelhados. Os pulsos estavam escurecidos e afundados nos lençóis, o rosto era tracejado por lágrimas que cessaram no mesmo instante em que vira o moreno como um Deus, sua salvação.
- Achei que não... voltaria mais... Que me deixaria aqui..
Os olhos marejados transpareciam a verdade, e o moreno ainda sorria com o ato do rapaz diante de seus olhos. Ainda podia ver o brilho fosco do estilete a beira do canto direito da cama, com a lâmina aberta em seu limite, e um risco de sangue que seguia por entre as cobertas passando acima da coxa direita do garoto. Aquele sangue já estava coagulado.
O homem de cabelos negros dera mais algumas passadas na direção do outro, e esse erguia as mãos como se suplicasse que ele lhe segurasse; Mesmo com os braços tracejados de vários cortes paralelos ao pulso, o sangue ainda vivido que escorria pelo corpo branco, a vista um pouco turva e o corpo fraco, não queria que
ele se afastasse de si. Mal conseguia ouvir a própria respiração ou pensamentos, não tinha mais qualquer raciocínio de seus atos, somente desejava e anseava para que aquela tortura parasse, queria a proximidade do maior.
-
Não me odeie, por favor.. Não me odeie...Sussurrara a voz fraca e miserável para com o rapaz de cabelos negros, porém os passo dele começaram a recuar, e sentia cada fio de esperança se partindo diante da distância menor. E o Albino movera a mão para o lado pegando o estilete, apoiando a lâmina quente sobre a lateral do pescoço a forçando alí, para lentamente puxá-la para frente fazendo um corte que se extendia mais e mais, e o sangue que era expulso pingava sobre os lençóis brancos. Forçava a lâmina daquele estilete contra a jugular agora, banhando-se em meio a seu próprio sangue
-
Vê?....Eu....Eu te amo...E esses murmúrios incomprêensíveis escaparam da boca rosada e trépida, legiveis para o moreno que atento observava cada ato do menor, cada balbuciar, e o pendente corpo do albino que seguia para frente, expelindo sangue dos lábios rosados; Se afogava no próprio sangue, agora. Uma tossida escapou dele, baixa e abafada pelo sufocar, e erguia a face, era insistente, expondo assim o sangue que agora traçava em um filete a narina esquerda, desviando-se dos lábios em uma curva súbita, que se seguia até o queixo de onde alí pingava acima de muitas outras manchas. Essa insistência fora recompensada com a visão desfocada e escura do rapaz parado. Ele o olhava, e tinha certeza que sim, e ouvir - não tão claramente - os passos dele retornando para perto de si onde ele parava, vislumbrando o pequeno ensanguentado.
- Sinto pena de você.
A voz era entendida porém um pouco abafada para o garoto, e mesmo sem forças um sorriso escapara dos lábios, Como o amava! sim, o queria tanto... que só de ouvir o entoar forte daqueles lábios, despertava por um segundo do transe em que a perda de sangue o deixava, e algumas vezes piscara buscando melhor ver a presença do amado moreno. Arregalou os olhos, estava com as pupilas dilatadas pela escuridão, a pele fria, um tanto... insensível apesar de que sabia que aquele calor em grande escala era das mãos dele, pois os dedos lentamente subiram o rosto afastando os cabelos brancos de frente da face. Apertou ainda mais o estilete no pescoço e um risco de sangue fora espirrado para o chão frio parando a menos de um palmo dos pés do moreno.
- Aqui, Aqui... Meu Amado...Não precisa se marcar mais...
Sussurrara, porém o rapaz já estava com parte da consciência distante dalí, apenas sentia as mãos dele, as mãos quentes e grandes espalmadas no rosto fino. O corpo enfraquecera cada vez mais e as mãos penderam, o estilete caíra ao chão, os olhos se estreitaram e a vista caiu, o rosto ficou completamente apoiado nas mãos do maior, a respiração fraca se resumiu em um murmúrio que nem mesmo o maior ouvira.